Gallows significa “patíbulo” ou “forca”, a estrutura historicamente usada para execuções por enforcamento. É uma palavra rara, visual e marcante, que aparece na imagem dramática de alguém “standing on the gallows”, sugerindo que o narrador se sente em uma situação extrema, perigosa e prestes a explodir.
Em “Things Have Changed”, Bob Dylan apresenta um narrador cercado por imagens absurdas e perigosas: ele está com uma mulher no colo, usando roupa elegante, esperando “the last train” [o último trem], enquanto se sente como alguém “standing on the gallows with my head in a noose” [de pé na forca, com a cabeça numa corda]. A frase repetida, “I used to care, but things have changed” [eu costumava me importar, mas as coisas mudaram], explica sua postura: ele ainda percebe o caos, a dor e a ameaça, mas se mantém distante, quase anestesiado. “People are crazy and times are strange” [as pessoas estão loucas e os tempos são estranhos] soa como um diagnóstico seco de um mundo que deixou de fazer sentido.
A graça da música está no modo como ela salta do perigo para o nonsense. O narrador diz que está na cidade errada e que deveria estar em Hollywood, fala em aprender o jitterbug, uma dança rápida, e em “dress in drag” [vestir-se com roupas associadas ao outro gênero]. Depois afirma que já percorreu “forty miles of bad road” [quarenta milhas de estrada ruim] e que tenta se afastar de si mesmo. Há também frases que parecem piadas desconcertantes, como apaixonar-se pela primeira mulher encontrada e colocá-la num carrinho de mão. “Things Have Changed” não oferece uma história linear: oferece um homem perdido, defensivo e cansado, que sente a dor mas “just don’t show it” [simplesmente não demonstra]. Até a verdade vira contradição: “All the truth in the world adds up to one big lie” [toda a verdade do mundo acaba formando uma grande mentira].