Vagabundas significa “vagabundas” ou “errantes”: algo que anda sem rumo, sem destino definido. Na canção, “ilusiones vagabundas” descreve esperanças amorosas soltas e passageiras, que podem ser alcançadas, mas não têm estabilidade. É uma palavra poética e marcante, bem menos comum em letras românticas.
Sabe aquela dor de cotovelo dançante? É exatamente o que acontece quando o grupo mexicano Los Ángeles Azules se junta com a Natalia Lafourcade nesta cumbia. A letra trata de uma assimetria amorosa bem dolorosa: enquanto a voz da canção se entrega por inteiro e avisa que "Nunca es suficiente para mí / Porque siempre quiero más de ti" (Nunca é suficiente para mim / Porque sempre quero mais de você), a outra pessoa trata tudo com desdém. É o contraste clássico entre quem ama demais e quem já se acostumou tanto a esse carinho que nem liga mais, como diz o verso: "Acostumbrado estás tanto al amor / Que no lo ves" (Você está tão acostumado ao amor / Que não enxerga).
O parceiro prefere sair por aí "jugando a enamorar" (brincando de apaixonar) e correndo atrás de "ilusiones vagabundas" (ilusões passageiras, sem rumo fixo). Mesmo com o coração em pedaços e admitindo sem rodeios que "Aunque me haces mal, te quiero aquí" (Apesar de você me fazer mal, quero você aqui), no final surge uma promessa de esquecimento: quem foi embora vai se perder no passado pelo simples fato de ter feito o outro chorar ("Te perderás dentro de mis recuerdos por haberme hecho llorar"). No meio dessa melancolia toda, ainda rola o famoso grito da banda, "¡De Iztapalapa para el mundo!", lembrando as origens do grupo nesse distrito popular da Cidade do México antes de botar todo mundo para dançar.