Guayar é um verbo coloquial do espanhol caribenho, especialmente associado a Porto Rico, que significa dançar bem próximo e com movimentos de quadril, geralmente ao som de reggaeton. Na música, Bad Bunny diz que ninguém tem o “torque pa’ guayar”, usando torque de forma figurada para falar da energia ou habilidade necessária para dançar.
Sabe aquele momento em que você simplesmente cansa de dar ouvidos a quem duvida de você? É exatamente essa a energia de EL MUNDO ES MÍO, faixa de abertura onde o porto-riquenho Bad Bunny chega chutando a porta com a frase "Yo hago lo que me dé la gana" (Eu faço o que bem entender). Ele canta que o mundo é dele, mas logo emenda um generoso "El mundo es tuyo" (O mundo é seu), quase como um convite para você ter a mesma marra. É pura autoconfiança de quem começou ganhando salário mínimo e virou milionário, algo que ele joga na nossa cara sem pudor quando diz: "Yo pasé de cero a 7.25, después un millón" (Passei de zero a 7,25 [o salário mínimo por hora em Porto Rico e nos EUA], depois um milhão).
Para entender as rimas, vale prestar atenção nos nomes e gírias locais que ele solta a cada verso. Quando canta "Todo tiene su final, me lo dijo Héctor Lavoe" (Tudo tem o seu fim, Héctor Lavoe me disse), ele cita uma lenda clássica da salsa porto-riquenha e o famoso hit dele, "Todo Tiene Su Final". Já no beisebol, Bad Bunny usa o jargão "Yo siempre picheo, denme el Cy Young" (Eu sempre lanço, me deem o Cy Young), fazendo referência ao troféu de melhor arremessador da liga americana. Ele ainda tira onda com a clássica boy band latina Menudo na linha "Súbete A Mi Moto" (Suba na minha moto) e brinca que venceria até o boxeador Floyd Mayweather se ele aparecesse na sua frente. É um reggaeton direto ao ponto, cheio de deboche contra os críticos que agora fazem fila para pedir fotos com ele.